Intel identifica novas oportunidades no mercado gamer

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O mercado de PCs gamer passa por uma fase de crescimento mais estável, depois do forte avanço registrado durante o boom do segmento. Para a Intel, o público continua relevante para a indústria e para o varejo, mas está mais diverso e reúne consumidores com necessidades diferentes: desde quem joga casualmente até os usuários que acompanham competições e utilizam máquinas de alto desempenho para múltiplas atividades.

“A gente vê esse público gamer crescendo e é um público extremamente apaixonado. Trabalhamos com esse público em diferentes frentes há mais de 20 anos e ele foi mudando, ganhando uma audiência muito maior e hoje a gente vê que tem diferentes perfis, desde o que joga Candy Crush até o Counter-Strike competitivo. E tem o gamer que, no fundo, é um espectador”, afirma Carlos Buarque, diretor de Marketing da Intel Brasil.

Segundo o executivo, essa diversidade também muda a forma como as marcas se relacionam com o consumidor. A Intel atua em diferentes frentes, incluindo o patrocínio de campeonatos, mas a estratégia não está necessariamente ligada ao momento da compra. “É muito mais de conversar com o público no momento da paixão deles, não tanto de compra. É muito mais de prazer para eles”, explica.

Upgrade ganha espaço nas decisões de compra

O ciclo de troca dos computadores também é um ponto de atenção. De acordo com Buarque, o gamer tende a substituir ou atualizar sua máquina em um intervalo menor do que o usuário comum. Entre os principais gatilhos estão problemas no equipamento atual, perda de desempenho e o lançamento de jogos mais pesados.

Há ainda uma interseção entre o público gamer e os chamados entusiastas de tecnologia. Nesse grupo, o lançamento de novos componentes pode antecipar a decisão de compra, como no caso de consumidores que buscam notebooks equipados com novas gerações de placas de vídeo.

A necessidade de desempenho, porém, não está restrita aos jogos. Um computador gamer também pode ser utilizado para streaming, comunicação por plataformas como Discord, estudos, edição de vídeo e atividades profissionais que exigem maior capacidade de processamento.

“A gente vê que quem compra um computador gamer, não é só o jogador. Tem pessoas que compram porque precisam de um computador mais potente. Tem até o computador gamer com design mais sóbrio, porque é um arquiteto que vai usar e precisa rodar um software mais pesado, ou um profissional liberal que edita vídeo”, diz Buarque.

Esse perfil amplia o mercado potencial dos equipamentos e também cria oportunidades para fabricantes e varejistas trabalharem diferentes argumentos de venda, além da performance exclusivamente para jogos.

Preço pesa e estimula configurações mais flexíveis

O cenário de preços é um dos principais desafios para a expansão dos PCs no Brasil. Segundo a Intel, o computador continua sendo um item de peso no orçamento do consumidor, o que faz com que condições de pagamento, cashback e outras vantagens comerciais tenham influência na decisão de compra.

Nesse contexto, fabricantes e consumidores também estão buscando alternativas de configuração. Um exemplo citado pelo executivo é a oferta de computadores gamer com 8 GB de memória, abaixo dos 16 GB que anteriormente apareciam com mais frequência nesse segmento. A estratégia permite que o consumidor faça um investimento inicial menor e realize um upgrade posteriormente.

“Tem o desafio do aumento de preço e, no Brasil, o computador é um item caro, é algo que pesa no orçamento. A gente vê mais opções de parcelamento, benefícios como cashback acabam pesando e influenciando na decisão de compra dos clientes, mas é uma situação que leva um tempo para normalizar”, afirma.

IA ainda precisa ser traduzida para o consumidor

Outro movimento que começa a alterar o mercado de PCs é a chegada da inteligência artificial aos equipamentos. Para Buarque, ainda existe uma distância entre a tecnologia embarcada nas máquinas e a percepção do consumidor sobre seus benefícios.

Segundo ele, parte do público gamer não considera a IA relevante porque associa a tecnologia a aplicações como Gemini e ChatGPT e não necessariamente percebe que já utiliza recursos baseados em inteligência artificial.

A evolução, porém, envolve o processamento local de diferentes cargas de IA, com a participação de CPU, GPU e NPU. Dependendo da aplicação, cada componente pode assumir o processamento de maneira mais eficiente. Uma tarefa executada em uma NPU, por exemplo, pode consumir menos recursos e preservar mais a bateria do equipamento do que se fosse processada pela CPU.

Para o mercado, a expansão dessa arquitetura adiciona mais um elemento à evolução dos computadores e abre espaço para que fabricantes e varejistas expliquem aplicações que ainda não são necessariamente evidentes para o consumidor.

Gamer Days reúne indústria e varejo

É nesse cenário de consumo mais planejado que a Intel realiza mais uma edição do Gamer Days. Segundo Buarque, o comportamento do público ajudou a dar origem à iniciativa. Como a compra de um PC gamer não costuma ser impulsiva e o consumidor tende a esperar uma oportunidade para trocar ou atualizar o equipamento, a proposta é reunir diferentes empresas em torno de um período promocional.

“Vamos juntar o ecossistema para fazer uma data promocional com diferentes ofertas para esse público e disso surgiu o Gamer Days”, explica.

Neste ano, a Intel oferece também uma ação de software bundling: consumidores que adquirirem produtos elegíveis recebem dois jogos que serão lançados em breve. Segundo a empresa, cada título tem valor de US$ 60. A campanha conta ainda com a participação de fabricantes como Acer, Asus, Dell e Lenovo, que podem oferecer descontos, condições diferenciadas de parcelamento e outras iniciativas comerciais.

A edição atual acontece na América Latina após as ações realizadas nos Estados Unidos e em outras regiões. A antecipação do calendário, segundo Buarque, ocorreu também a partir de um feedback dos parceiros relacionado à disponibilidade de produtos no mercado.

Mais de 35 parceiros participam da iniciativa na América Latina, entre fabricantes, varejistas e empresas especializadas. Para a Intel, o aumento do interesse das empresas é um dos sinais de que o mercado gamer continua relevante mesmo após o período de expansão mais acelerada.

“Depois que passou o boom do momento gamer, o que vemos é que não é algo que esfriou. O mercado acertou o tamanho e continua crescendo. Vemos mais parceiros falando que querem entrar, querem participar, posso ter oferta também. É um momento que a gente vê de um crescimento estável”, afirma.

Além dos computadores, o executivo destaca o potencial associado à compra de acessórios e periféricos. Para o varejo, essa característica amplia o ecossistema relacionado ao consumidor gamer e cria novas possibilidades de venda dentro da mesma jornada.

Brasil tem espaço para ampliar participação

Na América Latina, o Brasil ocupa posição relevante no mercado consumidor de PCs, segundo a Intel. No segmento gamer, porém, a participação ainda fica abaixo da observada em alguns outros mercados, em parte por causa do preço dos equipamentos.

Buarque afirma que os PCs gamer representam atualmente entre 7% e 9% do mercado brasileiro de PCs, enquanto na China esse percentual supera 20%. Na América Latina, países como Chile e Colômbia apresentam participação maior.

“A gente tem oportunidade de crescimento, mas sabemos que tem essa questão do preço, de caber no bolso, que é o desafio”, afirma.

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