A presença de veículos eletrificados no mercado de blindagem automotiva está crescendo no Brasil. O BYD Song Plus, modelo híbrido plug-in, liderou o ranking de veículos blindados, com 1.486 unidades, segundo levantamento da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). O resultado representa uma mudança em relação ao período anterior, quando o Toyota Corolla Cross ocupava a primeira posição.
A participação desses modelos também cresce nas empresas do setor. Na Avallon Blindagens, cerca de 35% dos veículos blindados são eletrificados. Desse total, aproximadamente 30% são híbridos e 5% totalmente elétricos.
“O híbrido ainda representa a maior parcela desse grupo, mas já observamos uma evolução consistente na chegada dos modelos 100% elétricos. O BYD Song Plus é um exemplo bastante representativo dessa transformação do mercado”, afirma Ismael de Moraes, engenheiro mecânico e responsável técnico da Avallon Blindagens.
Projeto exige adaptação à arquitetura dos veículos
O avanço dos eletrificados exige mudanças na elaboração dos projetos de blindagem. Embora o objetivo continue sendo proteger os ocupantes sem comprometer as características originais do veículo, cada modelo apresenta particularidades que precisam ser consideradas pela engenharia.
Nos híbridos, o motor a combustão divide espaço com sistemas elétricos e, em alguns casos, baterias de alta tensão. Já nos modelos totalmente elétricos, a bateria geralmente ocupa uma área significativa do assoalho e representa uma parcela importante do peso total.
Essas características interferem na distribuição de massa, nos pontos de fixação e nos limites de intervenção na carroceria. Além disso, as regiões próximas às baterias e aos componentes de alta tensão exigem análises específicas antes da execução do serviço.
“O conceito da blindagem continua sendo o mesmo: proteger o veículo mantendo a integridade e as características originais, mas o projeto precisa considerar a arquitetura específica de cada modelo”, explica o engenheiro.
Materiais mais leves ajudam a controlar o peso
O peso adicional é um dos principais pontos de atenção nesses veículos. Nos modelos elétricos, o desafio é ainda maior porque as baterias já representam uma parcela relevante da massa do automóvel.
“Nos veículos elétricos essa preocupação é ainda maior, porque qualquer aumento de massa pode influenciar consumo de energia, autonomia e comportamento dinâmico”, ressalta Ismael.
Nesse cenário, a evolução dos materiais utilizados na blindagem automotiva tem ajudado a reduzir o peso acrescentado ao veículo. Entre as soluções estão os vidros balísticos mais finos e leves e o polietileno de alto desempenho, que pode substituir o aço em aplicações tecnicamente viáveis.
No entanto, a escolha dos materiais depende das características de cada modelo. Como nem todas as áreas da carroceria permitem o uso de soluções mais leves, a engenharia precisa avaliar individualmente onde cada recurso pode ser aplicado. O objetivo é equilibrar proteção e peso sem comprometer a estrutura original.
Capacitação acompanha a chegada de novos modelos
A preparação para trabalhar com veículos eletrificados começou antes do atual crescimento desse mercado. De acordo com Ismael, a empresa formou uma equipe específica para atender esses modelos a partir da chegada do Toyota Prius ao Brasil, em 2013.
Atualmente, os profissionais responsáveis por esse tipo de serviço integram um time dedicado e passam por atualizações constantes. Esse preparo ganhou ainda mais importância com a chegada de novos modelos, especialmente de fabricantes chinesas, que apresentam diferentes soluções tecnológicas.
“Estamos trabalhando com veículos que possuem sistemas elétricos de alta tensão distribuídos pela arquitetura do automóvel. Portanto, segurança e capacitação passam a ser elementos fundamentais do processo de engenharia e produção”, comenta.
Para preparar os profissionais, a empresa oferece capacitação em NR-10, norma relacionada à segurança em serviços com eletricidade. Os técnicos também participaram de cursos específicos sobre veículos híbridos e elétricos. Além disso, a operação utiliza ferramentas de segurança voltadas tanto à proteção do automóvel quanto à dos profissionais.
Com a ampliação da oferta de modelos eletrificados no Brasil, as blindadoras precisam adaptar seus processos às características de cada veículo. A engenharia, a escolha dos materiais e a capacitação das equipes passam, portanto, a ter papel cada vez mais importante nesse mercado.



