Agentic commerce muda a preparação do e-commerce

Agentic commerce e uso de inteligência artificial no e-commerce.

O agentic commerce começa a mudar a forma como os consumidores encontram e compram produtos pela internet. Nesse modelo, agentes de inteligência artificial (IA) podem pesquisar, comparar opções e até realizar compras em nome dos usuários. Com isso, as lojas virtuais precisam adaptar suas informações e plataformas para que esses sistemas consigam identificar, interpretar e recomendar seus produtos.

A mudança também altera a disputa pela atenção do consumidor. Em vez de depender apenas de anúncios, banners e promoções, as marcas passam a precisar de informações completas, atualizadas e confiáveis. Afinal, um agente de IA precisa conseguir consultar características dos produtos, comparar preços, verificar disponibilidade e identificar condições de entrega antes de recomendar uma compra.

Nesse cenário, a Econverse, empresa especializada em tecnologia para e-commerce, aponta quatro frentes que podem ajudar as lojas virtuais a se preparar para o avanço do agentic commerce.

Quatro mudanças para preparar o e-commerce

1. Catálogo completo e informações padronizadas

Para que um agente de IA consiga recomendar um produto, primeiro precisa compreender suas características. Por isso, as lojas devem oferecer descrições detalhadas, atributos padronizados, como tamanho, material, compatibilidade e imagens de qualidade.

Além disso, os dados estruturados ajudam os sistemas automatizados a identificar cada item com mais precisão. Quanto mais completas e organizadas forem as informações, maior será a capacidade de comparação entre produtos.

2. Preços, estoque e condições de compra atualizados

Preço, formas de pagamento, disponibilidade, frete e prazo de entrega também influenciam as decisões dos agentes de IA. Da mesma forma, as políticas de troca e devolução precisam estar acessíveis e atualizadas.

Caso essas informações estejam incompletas ou sejam difíceis de localizar, a loja pode perder espaço durante a comparação entre diferentes ofertas. Portanto, manter os dados comerciais atualizados passa a ser parte da estratégia de visibilidade do e-commerce.

3. Plataformas abertas e integração com agentes

A infraestrutura tecnológica também entra nessa transformação. Lojas que trabalham com APIs e integrações flexíveis podem se adaptar com mais facilidade aos protocolos desenvolvidos para conectar agentes de IA aos comerciantes.

Entre as iniciativas citadas nesse mercado estão o Universal Commerce Protocol (UCP), do Google, e o Agentic Commerce Protocol (ACP), desenvolvido pela OpenAI em parceria com a Stripe. Esses protocolos buscam padronizar a comunicação entre agentes e plataformas de comércio.

4. Conteúdo claro e reputação digital

A qualidade das informações não se limita às páginas de produtos. Perguntas frequentes (FAQ), respostas objetivas e avaliações recentes de consumidores também ajudam os agentes a compreender melhor uma marca e seus produtos.

Além disso, conteúdos organizados facilitam a identificação de características, vantagens e condições de compra. Nesse sentido, a reputação digital ganha importância porque contribui para a confiança nas recomendações feitas pela inteligência artificial.

Consumidores já demonstram abertura às compras por IA

A adaptação das lojas virtuais acompanha uma mudança na relação dos consumidores com a tecnologia. Segundo o Agentic Commerce Report 2026, da Global Payments, 72% dos consumidores brasileiros já testaram ou aceitam deixar um agente de IA realizar compras em seu nome. Em 2025, esse índice era de 39%.

Ao mesmo tempo, os lojistas ainda enfrentam desafios para acompanhar essa evolução. Uma pesquisa da Visa mostra que 74% dos comerciantes esperam que agentes de IA representem pelo menos 5% das vendas digitais em dois anos. Entretanto, apenas 15% afirmam estar preparados para esse cenário.

Para Pedro Piramo, CEO da Econverse, as empresas não precisam reconstruir toda a operação para começar a se adaptar. “Um bom ponto de partida é revisar o catálogo e garantir que todas as informações estejam corretas e acessíveis. São ajustes simples que já aumentam as chances de a marca ser encontrada por um agente de IA”, destaca.

O executivo também ressalta que a transformação já está em andamento. “Essa não é uma tendência distante, é uma mudança de comportamento que já começou”.

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