A inteligência artificial ainda tem adoção limitada entre as empresas brasileiras, mas já concentra interesse em áreas diretamente relacionadas à geração de receita. Marketing e vendas aparecem como os principais campos de aplicação da tecnologia entre os empresários que planejam utilizá-la.
Uma pesquisa repercutida pelo Varejo SA, da CNDL mostra que a entrada da inteligência artificial nas empresas está especialmente ligada às áreas comerciais. Realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, a pesquisa “Uso de inteligência artificial nas empresas” aponta que 69% dos empresários que pretendem adotar IA indicam marketing e vendas como as áreas com maior potencial de uso. O atendimento ao cliente vem na sequência, citado por 49%.
Os números indicam que a entrada da inteligência artificial no ambiente empresarial está mais associada às atividades próximas do consumidor do que às áreas de retaguarda. Em um cenário no qual as empresas buscam melhorar resultados comerciais, a tecnologia passa a ser considerada principalmente por aplicações capazes de apoiar vendas e relacionamento.
Interesse está ligado ao resultado
Marketing e vendas concentram atividades nas quais a inteligência artificial pode ser associada a ganhos diretamente percebidos pelos negócios. Entre as possibilidades estão o apoio à criação de campanhas, a análise de dados dos clientes, a personalização de ofertas, as recomendações de produtos, o atendimento e a produção de conteúdo.
Essa percepção ajuda a explicar por que essas áreas aparecem à frente de outras funções empresariais na intenção de adoção. A tecnologia é avaliada a partir da capacidade de contribuir para objetivos concretos, como vender mais, melhorar a relação com o consumidor ou tornar determinadas tarefas mais eficientes.
O levantamento também mostra, porém, uma diferença significativa entre o interesse pela tecnologia e sua utilização efetiva. Atualmente, apenas 14% das empresas utilizam inteligência artificial. Entre as que ainda não adotam a tecnologia, 24% afirmam que pretendem implementá-la no curto prazo.
A falta de conhecimento prático sobre como utilizar a IA aparece como o principal obstáculo à adoção. O cenário mostra que existe interesse pelas aplicações, mas ainda há dificuldade para transformar essa intenção em uso cotidiano.
Aplicações mais próximas do consumidor
A concentração do interesse em marketing, vendas e atendimento também aponta para uma percepção mais pragmática da inteligência artificial. Em vez de ser tratada apenas como uma tecnologia de transformação empresarial, ela começa a ser relacionada a atividades específicas e mais fáceis de visualizar na rotina.
Para as empresas, isso pode representar uma porta de entrada para a adoção. Aplicações ligadas à comunicação com clientes, campanhas, análise de comportamento e suporte às vendas permitem associar o uso da tecnologia a objetivos comerciais.
Essa característica também é relevante para empresas nas quais a gestão é mais centralizada e existe menor disponibilidade de tempo para iniciativas de transformação tecnológica. A IA passa a ser considerada como uma ferramenta de apoio às atividades existentes.
Expectativa de impacto nos negócios
Apesar da adoção ainda estar em estágio inicial, parte dos empresários projeta impacto positivo da inteligência artificial sobre a competitividade. De acordo com a pesquisa, 41% acreditam que a tecnologia aumentará a competitividade das empresas nos próximos anos.
Entre os fatores associados a essa expectativa estão a possibilidade de criar novidades para os clientes, economizar tempo e dinheiro e melhorar a experiência de atendimento.
A relação com vendas também aparece de forma direta no levantamento. Para 52% dos empresários, a inteligência artificial pode contribuir para aumentar as vendas.
Os dados mostram, assim, um cenário em que o interesse pela IA está concentrado em áreas nas quais seus possíveis efeitos podem ser relacionados de maneira mais direta ao desempenho comercial. Ao mesmo tempo, a baixa utilização atual e a falta de conhecimento prático indicam que a transformação desse interesse em aplicações concretas ainda depende de maior familiaridade das empresas com a tecnologia.



