O Itaú Unibanco desenvolveu uma solução de comércio agêntico que permite integrar pagamentos às experiências de compra conduzidas por agentes de inteligência artificial. A tecnologia, criada por meio da Rede, conecta plataformas de IA à infraestrutura de e-commerce e pagamentos do banco e permite que empresas concluam transações dentro do próprio ambiente conversacional.
A iniciativa amplia a infraestrutura de pagamentos do Itaú para acompanhar jornadas de compra mediadas por inteligência artificial. Hoje, agentes de IA já podem pesquisar informações, recomendar produtos, comparar alternativas e ajudar na montagem de carrinhos. A etapa de efetivação do pedido, porém, ainda é menos comum. A proposta do banco é integrar também essa fase à conversa, permitindo que pesquisa, interação e pagamento ocorram no mesmo ambiente.
Para viabilizar a integração entre diferentes plataformas, o Itaú desenvolveu um gateway multiprotocolo. A estrutura atua como um adaptador entre os protocolos utilizados pelos agentes de IA e as APIs de pagamento da Rede. Na prática, a camada traduz as informações recebidas pelos diferentes protocolos para a infraestrutura do banco.
Com esse modelo, as empresas podem se conectar a novos ambientes de inteligência artificial sem precisar criar uma estrutura de pagamento específica para cada agente. A arquitetura também busca permitir que a infraestrutura acompanhe a evolução de um ecossistema ainda em formação.
“Os agentes de IA começam a mudar a forma como as pessoas descobrem produtos e fazem compras no ambiente digital. Estamos construindo essa ponte para que nossos clientes possam oferecer pagamentos integrados a esses novos ambientes sem adicionar complexidade à operação. Para quem vende, isso significa estar presente onde a compra acontece, com potencial para aumentar conversão, ampliar alcance e capturar novas oportunidades de vendas nos canais digitais impulsionados por IA. E para o consumidor, representa uma jornada mais fluida, com pesquisa, interação e pagamento no mesmo lugar”, afirma Angelo Russomanno, diretor de Recebimentos e Adquirência do Itaú Unibanco.
Comércio agêntico amplia espaço
As estimativas de mercado indicam uma expansão desse modelo de interação. Segundo a McKinsey, transações realizadas por agentes de inteligência artificial poderão movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030. Já a Accenture projeta que os agentes serão responsáveis por 30% do comércio online global no mesmo ano.
A evolução desse formato cria um desafio de infraestrutura para as empresas, que precisam estar disponíveis em diferentes ambientes digitais sem necessariamente multiplicar suas integrações de pagamento.
Inicialmente, a solução do Itaú permite pagamentos com cartão de crédito. A arquitetura, no entanto, foi desenvolvida para incorporar outros meios de pagamento à medida que o ecossistema avance.
A iniciativa também está ligada às pesquisas conduzidas pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi) sobre o conceito de Machine Customers. A linha de pesquisa investiga como o setor financeiro pode evoluir em um cenário no qual agentes de inteligência artificial passam a atuar em nome dos clientes.
A aproximação entre a pesquisa do ICTi e uma iniciativa da Rede voltada a pagamentos agênticos resultou no desenvolvimento da solução de gateway multiprotocolo. O instituto participou da construção da tese, da identificação dos principais desafios tecnológicos e regulatórios e da criação de protótipos para demonstrar como essas interações podem funcionar.
O trabalho reúne aprendizados, conceitos e protótipos voltados à preparação do banco para um cenário no qual agentes de IA interajam diretamente com produtos e serviços financeiros.
Tokenização protege dados dos cartões
A segurança foi incorporada à arquitetura da solução. O Itaú trabalha com parceiros que utilizam tokenização em seus agentes de inteligência artificial para proteger as credenciais dos cartões utilizadas durante a conversa.
Nesse modelo, os dados completos do cartão não ficam disponíveis para o agente. O processamento ocorre pela infraestrutura da Rede, seguindo os controles de segurança aplicáveis à transação.
O gateway também identifica o protocolo de origem da operação. Com isso, é possível diferenciar compras realizadas por meio de agentes de IA de transações convencionais e manter a rastreabilidade durante o processamento.
“Estamos desenvolvendo uma arquitetura preparada para conversar com diferentes agentes e protocolos, sem atrelar nossos clientes a uma única tecnologia. Essa capacidade de adaptação é especialmente importante em um ecossistema que ainda está em formação. Queremos criar as condições para que as empresas possam começar a experimentar essas jornadas agora e tenham uma infraestrutura capaz de acompanhar sua evolução em diferentes plataformas”, afirma Adriano Tchen, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco.
A atuação do Itaú em diferentes etapas da cadeia de pagamentos também integra a proposta. A conexão entre banco, emissão e adquirência permite acompanhar diferentes etapas da jornada e reunir recursos de processamento e análise de dados.
Por meio da Rede, as empresas podem acessar informações sobre a performance dos pagamentos, incluindo autorização, bandeiras, emissores, conversão e chargeback, além de recursos de Data Insights relacionados a consumo, perfil e tendências.



