Black Friday: 5 erros que ameaçam as vendas do varejo

A Black Friday exige planejamento tecnológico para evitar falhas em um dos períodos de maior movimento do comércio eletrônico. Em 2025, o e-commerce brasileiro registrou mais de 8,5 milhões de transações na data, com faturamento de R$ 4,76 bilhões, alta de 11,2% em relação ao ano anterior. O número de operações cresceu 29,8%, segundo os dados apresentados no levantamento que embasa esta matéria.

Para 2026, a estimativa citada é de movimentação de R$ 14,4 bilhões no comércio eletrônico durante a data. Diante da expectativa de demanda, problemas em plataformas de venda, pagamentos, estoque e emissão de notas fiscais podem comprometer pedidos e gerar prejuízos aos varejistas.

Bernardo Rachadel, diretor de Unidade de Negócio de Varejo e CTO da Zucchetti Latam, aponta cinco falhas recorrentes na preparação para a data.

1. Deixar os testes para a última hora

A recomendação é iniciar os testes entre 60 e 90 dias antes da Black Friday. O período permite identificar gargalos, corrigir falhas e, se necessário, substituir soluções tecnológicas.

“Em outubro, já não há margem para correções estruturais”, afirma Rachadel.

2. Repetir a estratégia do ano anterior sem reavaliar a estrutura

O desempenho de uma operação em edições anteriores não garante que ela suporte a demanda seguinte. Mudanças no volume de acessos, nas integrações e na infraestrutura dos fornecedores podem exigir ajustes.

Por isso, a capacidade dos sistemas precisa ser testada novamente, considerando a expectativa de tráfego e de transações para o período.

3. Testar os sistemas de forma isolada

Uma plataforma de vendas pode funcionar normalmente enquanto outros sistemas apresentam falhas. Para evitar esse cenário, é necessário testar todas as etapas da operação, do site ou ponto de venda (PDV) à gestão de estoque, aos pagamentos, à emissão de notas fiscais e à entrega.

“De nada adianta o site aguentar e o estoque não acompanhar”, alerta o executivo.

Segundo ele, problemas na emissão de documentos fiscais, por exemplo, podem impedir a conclusão de vendas mesmo quando o checkout funciona normalmente.

4. Ignorar possíveis instabilidades fiscais

A emissão de documentos fiscais depende de serviços externos, como os das Secretarias da Fazenda estaduais (SEFAZ). Eventuais instabilidades podem afetar a operação, especialmente em períodos de alto volume de pedidos.

Rachadel recomenda verificar se o sistema de gestão possui mecanismos de contingência e se os procedimentos para lidar com essas falhas foram testados antes da Black Friday.

5. Não ter um plano de contingência

A falta de procedimentos definidos para situações de emergência pode ampliar os impactos de uma interrupção. O planejamento deve estabelecer quem será acionado, quais alternativas estarão disponíveis para manter as vendas, como os clientes serão informados e de que forma a operação será restabelecida.

O plano também precisa ser documentado e testado antes da data, segundo o executivo.

Infraestrutura e equipe também exigem preparação

Além dos testes, a estabilidade dos sistemas, a capacidade de lidar com falhas externas e o treinamento das equipes são fatores importantes para a operação durante a Black Friday.

Soluções em nuvem podem contribuir para a disponibilidade dos sistemas, desde que a infraestrutura seja dimensionada e validada para a demanda prevista. Também é necessário avaliar os procedimentos relacionados à emissão fiscal e garantir que os funcionários conheçam as ferramentas utilizadas.

Para Rachadel, o suporte técnico é outro ponto relevante. A rapidez na identificação e na resolução de problemas pode reduzir o tempo de interrupção e seus efeitos sobre as vendas.

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