Ciberataques no Brasil crescem 50% em um ano

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O Brasil registrou uma média de 4.086 ataques cibernéticos por semana por organização em setembro de 2026, um aumento de 50% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O volume ficou acima da média global, de 2.803 ataques semanais por organização, que avançou 48% em 12 meses. Os dados são do levantamento mensal da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência em ameaças da Check Point Software.

No país, o setor governamental permaneceu como o principal alvo dos ataques, seguido por Serviços Empresariais e Educação. Este último segmento subiu duas posições entre os setores mais visados no Brasil, segundo o levantamento.

O cenário internacional também aponta crescimento das ameaças digitais, com aumento das tentativas de phishing, manutenção do ransomware em níveis elevados e maior exposição de informações sensíveis em ferramentas de inteligência artificial generativa. Na comparação mensal, a média global de ataques por organização cresceu 16%.

“Os dados de setembro mostram que o risco cibernético está aumentando tanto em volume quanto em abrangência”, afirma Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. “Com o crescimento dos ataques em todas as regiões, o aumento da frequência de phishing, a permanência do ransomware em níveis elevados e a expansão do uso de IA generativa acompanhada pela exposição de dados sensíveis, as equipes de segurança não podem depender de defesas fragmentadas. É necessário adotar uma proteção baseada em prevenção que combine visibilidade, controle e automação em rede, nuvem, endpoints, e-mail e uso de IA para interromper as ameaças antes que elas afetem as operações ou exponham informações sensíveis.”

América Latina concentra maior volume regional

A América Latina registrou a maior média regional, com 3.813 ataques semanais por organização, alta de 35% em um ano. A África ficou na segunda posição, com 3.701 ataques, seguida pela região Ásia-Pacífico, com 3.593.

Embora tenha apresentado volume total inferior ao das regiões mais atacadas, a Europa registrou a maior aceleração anual, de 61%. Na América do Norte, o crescimento chegou a 50%.

Uso de IA generativa amplia exposição de dados

O levantamento identificou que um em cada 39 prompts de inteligência artificial generativa utilizados por empresas apresentou alto risco de vazamento de dados sensíveis em setembro. A situação afetou 89% das organizações que utilizam regularmente essas ferramentas. Outros 14% dos prompts continham informações potencialmente sensíveis.

Em média, cada usuário gerou 131 prompts durante o mês, enquanto as organizações utilizaram oito ferramentas de IA. O volume amplia os desafios para monitorar quais informações são compartilhadas pelos funcionários e quais controles protegem os dados processados.

As informações potencialmente expostas incluem dados de rede e infraestrutura de TI, identificados em 71% das organizações; dados financeiros, em 70%; informações jurídicas e regulatórias, em 68%; dados de funcionários e recursos humanos, em 62%; e informações de identificação pessoal, em 60%. Os percentuais correspondem à parcela de organizações em que cada categoria foi observada, e não à proporção de prompts com esses dados.

Os Serviços Empresariais registraram a maior taxa de prompts de alto risco, de 4,9%, seguidos por Serviços Financeiros, com 4,1%, e Saúde e Medicina, com 3,5%. Na divisão regional, a América Latina também liderou nesse indicador, com 4%, ante média global de 2,5%.

Phishing cresce e links lideram ameaças por e-mail

O phishing ganhou espaço entre as ameaças distribuídas por e-mail. Em setembro, um em cada 91 e-mails foi classificado como phishing, equivalente a 1,1% do total. Em agosto, a proporção era de um em cada 112, ou 0,89%.

Entre as mensagens identificadas como phishing, 81% continham links e 11% apresentavam anexos. A América do Norte teve a maior taxa regional, de 1,26%, equivalente a um em cada 79 e-mails.

Por setor, Associações e Organizações sem Fins Lucrativos registraram a maior incidência, de 2,17%. Construção e Engenharia apareceu em seguida, com 2,05%, enquanto Imobiliário, Aluguéis e Leasing alcançou 1,38%.

Ataques de ransomware aumentam 53%

O número de ataques de ransomware registrados em setembro chegou a 824, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2025. Serviços Empresariais foi o segmento com maior participação entre as vítimas reportadas, respondendo por 31,3% dos casos. Bens e Serviços de Consumo representou 15,2%, e Manufatura Industrial, 11%.

A América do Norte concentrou 46% dos incidentes reportados, seguida pela Europa, com 25%, e pela região Ásia-Pacífico, com 17%. O relatório destaca a exposição de empresas que mantêm dados ou acessos a sistemas de diferentes clientes, situação que pode ampliar os efeitos de um incidente.

The Gentlemen lidera ataques de ransomware

O grupo The Gentlemen respondeu por 13% dos ataques de ransomware publicados em setembro, ocupando a primeira posição do levantamento. Qilin ficou em segundo lugar, com 9%, enquanto Akira registrou 5%.

Além desses grupos, outras 80 organizações de extorsão reportaram ataques de ransomware no mês, indicando a atuação simultânea de grupos estabelecidos e outras operações no cenário de ameaças digitais.

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