A produção do BYD King foi interrompida temporariamente na fábrica da montadora chinesa em Camaçari (BA). A decisão, segundo integrantes da engenharia da marca, está relacionada à alta demanda pelo Atto 2, e não à falta de compradores para o sedã híbrido. Além disso, a fabricante afirma que possui estoque suficiente para abastecer as concessionárias durante a pausa.
A informação foi confirmada durante uma visita técnica de jornalistas ao complexo industrial. Atualmente, a linha de montagem está quase totalmente dedicada ao novo SUV híbrido flex. Desde a abertura da pré-venda, o modelo já acumulou cerca de 7 mil reservas.
Com isso, a montadora decidiu concentrar os esforços de produção no Atto 2. No entanto, a empresa não retirou o King do catálogo e ainda não informou quando retomará sua fabricação.
Como é o BYD King vendido no Brasil
Lançado no Brasil em 2024, o King é um sedã médio híbrido plug-in. O modelo mede 4.780 mm de comprimento, 1.837 mm de largura e 1.495 mm de altura. Além disso, tem entre-eixos de 2.718 mm, porta-malas de 450 litros e tanque de combustível com capacidade para 48 litros.
A linha conta com duas versões: GL, direcionada principalmente a frotistas, e GS, configuração topo de linha. Ambas combinam um motor 1.5 aspirado a gasolina com um propulsor elétrico dianteiro.
Na versão GL, o conjunto entrega 209 cv e utiliza uma bateria Blade de 8,3 kWh. Já a configuração GS desenvolve 235 cv e conta com uma bateria de 18,3 kWh. Dessa forma, as duas opções apresentam diferenças de potência e autonomia elétrica.
O modelo começou a ser produzido em Camaçari em outubro de 2025, ao lado do Dolphin Mini e do Song Pro. Posteriormente, a BYD acrescentou o Atto 2 à mesma linha de montagem final.
Essa estrutura permite que a fabricante ajuste a produção conforme a procura por cada modelo. Por isso, a empresa consegue concentrar a operação em um veículo sem necessariamente interromper a comercialização dos demais.
Sedã superou o Corolla por dois meses
Apesar de ter levado algum tempo para ganhar volume no mercado brasileiro, o King conseguiu superar o Toyota Corolla em agosto e setembro. Assim, tornou-se líder entre os sedãs médios por dois meses consecutivos.
Em agosto, foram 1.432 unidades do BYD contra 855 do rival japonês. No mês seguinte, a diferença aumentou: o King registrou 1.666 emplacamentos, enquanto o Corolla somou 475 unidades.
Parte desse resultado, no entanto, coincide com a interrupção temporária da produção do Corolla sedã. Na ocasião, a Toyota transferiu sua linha de montagem de Indaiatuba para Sorocaba, ambas no interior de São Paulo.
Ainda assim, o desempenho do automóvel também refletiu o crescimento da procura pelo sedã. Em setembro, seus emplacamentos avançaram 66,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado dos nove primeiros meses, porém, o Corolla ainda mantinha a liderança, com 16.018 unidades, contra 12.906 do King. Mesmo assim, a diferença entre os dois diminuiu em comparação com anos anteriores.
Possibilidade de novo visual e motor flex
A retomada da produção do BYD King também levanta dúvidas sobre possíveis mudanças no modelo. Isso porque a marca já testa no Brasil protótipos da linha reestilizada, comercializada no exterior como Seal 05 DM-i. O modelo recebeu alterações importantes no desenho externo e no interior, conforme flagrantes publicados anteriormente.
Além da atualização visual, outra possibilidade envolve a adoção de tecnologia flex. Segundo executivos ouvidos pelo Motor1.com Brasil, a BYD pretende adaptar gradualmente os híbridos produzidos em Camaçari ao uso de etanol. Nesse sentido, o Song Pro e o próprio Atto 2 já representam etapas desse processo.
A mudança pode ser facilitada pelo uso de uma arquitetura semelhante nos três veículos. Todos combinam um motor 1.5 aspirado com um propulsor elétrico. Entretanto, existem diferenças de potência, capacidade de bateria e calibração entre os modelos.
Atualmente, o King utiliza apenas gasolina. Portanto, é o único híbrido produzido na fábrica baiana que ainda não oferece compatibilidade com etanol.
Apesar dessas possibilidades, a fabricante não relacionou a paralisação ao início da produção da versão reestilizada ou flex. Por isso, ainda não é possível afirmar que essas mudanças acontecerão antes da retomada da montagem.
Por enquanto, a única razão confirmada para a pausa é a necessidade de abrir espaço ao Atto 2 e atender às reservas acumuladas pelo SUV. A BYD ainda não divulgou uma data para voltar a produzir o sedã.



