A inteligência artificial deve participar mais da jornada de compra dos brasileiros nesta Black Friday. Segundo levantamento citado pela Sinch, 78% dos consumidores acreditam que a tecnologia pode facilitar as compras. O entusiasmo, porém, vem acompanhado de uma preocupação: para 52,3%, privacidade e uso de dados são os principais pontos de atenção.
Na prática, a IA pode aparecer em diferentes etapas da compra, ajudando o consumidor a encontrar produtos, comparar opções, receber recomendações e tirar dúvidas. Para as empresas, a tecnologia também pode acelerar o atendimento em um dos períodos de maior movimento do comércio.
O desafio está em equilibrar conveniência e confiança. Quanto mais as ferramentas utilizam informações sobre histórico de compras, preferências e comportamento para personalizar as interações, maior é a necessidade de deixar claro ao consumidor o que está sendo coletado e como esses dados são utilizados.
“Existe uma abertura clara do consumidor brasileiro para usar inteligência artificial nas compras. O dado de 78% mostra isso. Para as marcas, o desafio é transformar essa expectativa em uma experiência realmente útil e, ao mesmo tempo, deixar claro como os dados são utilizados e protegidos”, afirma Mario Marchetti, CEO Latam da Sinch.
Black Friday testa uso da IA
O aumento no volume de pesquisas, compras e contatos com as marcas durante a Black Friday cria um cenário favorável para o uso de ferramentas de IA. Chatbots, recomendações personalizadas e sistemas de busca, podem ajudar a reduzir o tempo gasto pelo consumidor, até encontrar um produto ou resolver um problema.
Mas a tecnologia também pode gerar o efeito contrário. Uma recomendação pouco relevante, uma resposta automática que não resolve a dúvida ou uma interação sem explicação sobre o uso de dados, pode transformar uma promessa de praticidade em frustração.
Para Marchetti, a percepção de controle será importante nesse processo. “O consumidor pode querer uma experiência mais personalizada, sem abrir mão do controle sobre suas informações. As empresas precisam explicar de forma simples quando a IA está sendo utilizada, quais dados são necessários para aquela interação e como eles são protegidos.”
A preocupação com privacidade, ganha ainda mais peso em um período marcado por promoções e grande circulação de dados. Ao mesmo tempo em que o consumidor busca preços e condições melhores, as empresas passam a ter mais oportunidades de utilizar informações para personalizar ofertas e interações.
Nesse cenário, a adoção da IA no varejo não depende apenas da tecnologia disponível. A forma como ela é apresentada ao consumidor e o nível de transparência sobre o uso de dados, também podem influenciar a aceitação das ferramentas.
Com 78% dos brasileiros esperando que a IA facilite suas compras, existe espaço para que a tecnologia ganhe novas funções no varejo. Os dados sobre privacidade, porém, mostram que rapidez e personalização precisarão vir acompanhadas de transparência sobre o uso das informações.



