Primeiros resultados da campanha mostram força dos produtos para casa e crescimento de soluções que reduzem tarefas e incorporam inteligência artificial.
A campanha de vendas 11.11 começou na China com eletrodomésticos, móveis e produtos eletrônicos entre as categorias de maior movimentação.
Os primeiros resultados também revelam uma mudança importante no comportamento do consumidor: cresce o interesse por equipamentos capazes de reduzir tarefas domésticas, automatizar funções e incorporar recursos de inteligência artificial ao uso cotidiano.
Os dados foram divulgados em 1º de novembro pela plataforma chinesa de recomendações de consumo Shenme Zhide Mai (What’s Worth Buying) e publicados pela Xinhua Finance. O levantamento considera as primeiras 28 horas da etapa promocional, entre as 20h de 30 de outubro e o fim de 31 de outubro.
Nesse período, as cinco categorias com maior volume bruto de mercadorias comercializadas na plataforma foram celulares e comunicação, grandes eletrodomésticos, móveis residenciais, grandes equipamentos para cozinhas e banheiros e pequenos eletrodomésticos.
Automação doméstica ganha espaço
Entre os produtos para casa, os equipamentos que exigem menos intervenção manual ganharam destaque.
Aspiradores robóticos com esvaziamento automático e sistemas integrados de limpeza, aquecedores de água com tecnologias de autolimpeza, cortinas elétricas controladas por voz e varais automatizados aparecem entre os exemplos citados no levantamento.
O movimento também alcança o mobiliário. Sofás motorizados, capazes de ajustar posições de assento e descanso por meio de comandos, aparecem entre os produtos com maior interesse dos consumidores.
A leitura que emerge é clara: a tecnologia doméstica começa a sair do campo do simples controle remoto e avança para soluções que executam tarefas pelo usuário.
Menos comando. Mais automação.
Para fabricantes, isso amplia as possibilidades de diferenciação em categorias já consolidadas, principalmente quando a tecnologia resolve problemas concretos da rotina.
Eletrônicos educacionais crescem 63,46%
A tecnologia também ganhou força em outras categorias do 11.11.
Entre os segmentos com volume bruto de mercadorias superior a 1 milhão de yuans na plataforma, os eletrônicos educacionais registraram crescimento de 63,46% em relação ao período equivalente de 2025.
Os equipamentos de áudio e vídeo avançaram 60,93%, enquanto celulares e dispositivos de comunicação cresceram 47,96%.
Produtos de fotografia e vídeo tiveram alta de 24,62%, e os móveis residenciais registraram crescimento de 15,14%.
Na educação, dispositivos com recursos de inteligência artificial ganharam destaque por oferecer funcionalidades de apoio ao aprendizado, como respostas a perguntas, acompanhamento personalizado e ferramentas para estudo de idiomas.
Outro levantamento publicado pela Xinhua Finance durante o período promocional também apontou avanço de produtos com inteligência artificial em categorias como eletrodomésticos, computadores e eletrônicos educacionais.
Em dados da Suning citados pela publicação, eletrodomésticos inteligentes com IA já representavam quase 70% das vendas de eletrodomésticos no recorte analisado.
Do recurso tecnológico para a utilidade prática
Os primeiros resultados do 11.11 indicam dois movimentos importantes.
O primeiro é a permanência de produtos de maior valor, como eletrodomésticos e móveis, entre as categorias de destaque das campanhas promocionais.
O segundo é a valorização de funcionalidades que entregam benefícios concretos.
Na automação doméstica, tecnologia deixa de significar apenas conectar aparelhos a aplicativos ou comandos de voz. Passa a incluir equipamentos que limpam, ajustam, monitoram ou executam tarefas com menor participação do usuário.
Para a indústria, esse movimento cria novas possibilidades de desenvolvimento de produtos.
Para o varejo, muda também a forma de vender.
Quanto mais sofisticada a funcionalidade, maior a importância de demonstrar ao consumidor o que ela resolve na prática e por que aquele recurso pode fazer diferença no dia a dia.
O que o 11.11 sinaliza
Os resultados chineses não permitem antecipar o comportamento de consumidores em outros mercados.
Mas ajudam a identificar para onde parte da inovação em produtos para casa está caminhando.
Eletrodomésticos, móveis, iluminação, automação e inteligência artificial passam a dividir cada vez mais o mesmo território.
A casa conectada começa a evoluir para uma casa mais automatizada, na qual a tecnologia deixa de ser apenas um recurso adicional e passa a assumir tarefas.
Para fabricantes e varejistas, esse movimento pode abrir uma nova etapa de diferenciação: menos tecnologia pela tecnologia e mais soluções capazes de entregar utilidade perceptível ao consumidor.
Fontes: Xinhua Finance; Shenme Zhide Mai (What’s Worth Buying); Suning.



