As stablecoins estão ampliando sua presença no ambiente corporativo e deixando de ser usadas apenas nas negociações de ativos digitais. Dados da Visa mostram que, no acumulado do ano fiscal de 2026, cerca de 17% do volume de cartões vinculados a stablecoins estava relacionado a programas empresariais e comerciais.
O movimento acompanha o interesse de empresas, instituições financeiras e provedores de pagamentos pelo uso desses ativos em operações como liquidação financeira, gestão de tesouraria, pagamentos a fornecedores e transações internacionais.
A Visa atualmente apoia mais de 160 programas de cartões vinculados a stablecoins, voltados a consumidores e empresas. O volume de pagamentos realizados nesses programas cresceu quase 200% em relação ao ano anterior.
“As empresas não estão buscando novas tecnologias de pagamento só pela inovação. Elas querem formas confiáveis e seguras de movimentar dinheiro”, afirmou Mark Nelsen, head global de Produtos e Soluções Comerciais e de Movimentação de Dinheiro da Visa.
Do mercado cripto aos pagamentos
Durante boa parte de sua trajetória, as stablecoins ficaram associadas às negociações de ativos digitais. Esses tokens, geralmente vinculados a moedas tradicionais, eram usados principalmente para movimentar recursos entre criptomoedas e exchanges.
Agora, empresas começam a explorar os ativos em operações financeiras do dia a dia, como pagamentos, gestão de liquidez e transferência de recursos entre mercados.
Uma pesquisa da Allium estima entre US$ 401 bilhões e US$ 527 bilhões o volume anual de pagamentos realizados com stablecoins. Entre os principais usos corporativos estão tarifas de serviços, com US$ 56 bilhões; folha de pagamento, com US$ 43 bilhões; e pagamentos a fornecedores, com US$ 28 bilhões.
Os fluxos internacionais também têm peso relevante: 43% do volume de transações B2B analisado pela pesquisa ocorre entre diferentes países.
Visa amplia infraestrutura
A Visa vem expandindo sua infraestrutura para integrar stablecoins a diferentes etapas da movimentação de dinheiro. Entre as iniciativas estão liquidação em stablecoins, pré-financiamento por meio do Visa Direct e repasses de pagamentos.
Os cartões vinculados a stablecoins são outra frente dessa estratégia. O avanço dos programas empresariais e comerciais indica que esses ativos estão deixando o ambiente das exchanges e ganhando espaço em operações financeiras das empresas, especialmente em pagamentos, gestão de caixa e transferências internacionais. Para a Visa, o movimento reforça o potencial das stablecoins como uma ferramenta de infraestrutura para movimentação de dinheiro no mercado corporativo.



