As tentativas de fraude digital cresceram no Brasil em meio à sofisticação dos golpes que utilizam inteligência artificial. Dados da Serasa Experian, apontam que 1,49 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade foram identificadas no país no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025. O volume equivale a aproximadamente uma tentativa a cada cinco segundos e reforça a preocupação com a segurança das transações digitais às vésperas da Black Friday, período marcado pelo aumento das compras, dos pagamentos online e dos cadastros.
Entre as ameaças estão os deepfakes, conteúdos falsos produzidos com inteligência artificial, e as identidades sintéticas, criadas pela combinação de informações verdadeiras e falsas para formar perfis aparentemente legítimos. Essas técnicas dificultam a identificação de fraudes por sistemas tradicionais de autenticação, já que imagens e vídeos podem ser manipulados para simular pessoas reais, enquanto cadastros fraudulentos podem reunir dados aparentemente válidos.
Segundo Adriano Carpinetti, especialista em tecnologia e inovação da Montreal, a verificação de identidade precisa ir além da comparação de fotografias e da análise isolada de documentos. “Precisamos verificar se aquela pessoa é realmente quem afirma ser e se há sinais de manipulação naquele processo”, aponta. Entre os mecanismos utilizados estão o reconhecimento facial, a análise documental e a prova de vida (liveness detection), tecnologia que verifica se a interação ocorre com uma pessoa real, e não por meio de uma imagem ou simulação.
A inteligência artificial também permite ampliar a escala e a sofisticação dos ataques. No caso das identidades sintéticas, os fraudadores combinam dados legítimos com informações falsas para criar cadastros capazes de passar por verificações automatizadas. “O fraudador também está usando inteligência artificial para aumentar a escala e a sofisticação dos ataques. Isso significa que não basta mais verificar apenas um documento ou comparar uma fotografia. A segurança precisa considerar o contexto daquela identidade e utilizar diferentes sinais para chegar a uma conclusão mais confiável”, ressalta Carpinetti.
Black Friday concentra transações e tentativas de fraude
O volume de operações durante a Black Friday aumenta a pressão sobre os sistemas de segurança do varejo. Entre 27 e 30 de novembro de 2025, foram registradas 4,9 milhões de compras online no Brasil, que movimentaram R$ 3,5 bilhões. No mesmo período, tecnologias antifraude identificaram e bloquearam 22.295 tentativas de fraude, com potencial de gerar mais de R$ 24 milhões em prejuízos, segundo levantamento da Serasa Experian.
Para as empresas, o desafio é impedir operações fraudulentas sem criar obstáculos excessivos para consumidores legítimos. Processos de autenticação muito rígidos podem dificultar a conclusão das compras, enquanto verificações insuficientes deixam brechas para ataques. Uma das alternativas é combinar diferentes informações para avaliar o risco de cada transação, considerando o contexto da operação e sinais de comportamento suspeito, em vez de depender exclusivamente de senhas ou de uma única etapa de verificação.
“A evolução da biometria caminha para uma autenticação mais inteligente e contextual. O objetivo não é simplesmente adicionar mais etapas para o consumidor, mas utilizar tecnologia para que a validação aconteça de maneira mais segura e, ao mesmo tempo, fluida”, conclui Carpinetti. A combinação de mecanismos de autenticação busca reduzir as fraudes sem comprometer a experiência de compra, um desafio importante para o comércio eletrônico durante períodos de maior movimentação, como a Black Friday.



