A disposição dos brasileiros em permitir que agentes de inteligência artificial (IA) realizem compras em seu nome passou de 39% em 2025 para 72% em 2026. O dado é do segundo Agentic Commerce Report, da Global Payments, que analisou a aceitação do comércio agêntico em sete países. A tecnologia permite que sistemas de IA pesquisem produtos e executem tarefas de compra em nome dos consumidores.
O levantamento ouviu 8.027 pessoas nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Brasil, China, Cingapura e Austrália, em maio de 2026. No Brasil, 24% dos entrevistados afirmaram já ter experimentado esse tipo de recurso, enquanto 48% disseram que estariam dispostos a utilizá-lo agora ou nos próximos 12 meses.
Com 72% de adesão potencial ou experiência prévia, o Brasil ocupa a segunda posição entre os países pesquisados, atrás da China, com 86%. Na sequência aparecem Cingapura (59%), Reino Unido (48%), França (46%), Estados Unidos (45%) e Austrália (40%).
Na comparação com 2025, o Brasil registrou avanço de 33 pontos percentuais no indicador comparável apresentado pelo estudo, a maior alta entre os mercados analisados. A China teve crescimento de 22 pontos percentuais, seguida pela França, com 21, e pelo Reino Unido, com 18.
“Estamos entrando em uma fase em que a conversa deixa de ser sobre o que a IA é capaz de fazer e passa a ser sobre o que os consumidores estão dispostos a delegar. As pessoas buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar. Para as empresas, o desafio será criar experiências em que uma maior autonomia venha acompanhada de mecanismos claros de autorização, segurança e confiança”, afirmou Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina.
Segurança e privacidade são os principais obstáculos
Apesar do aumento na disposição para utilizar agentes de IA, a segurança das transações e o controle sobre as decisões continuam entre as principais preocupações dos consumidores brasileiros.
Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados apontaram a segurança dos dados de pagamento como principal preocupação. A privacidade e o uso de informações pessoais foram citados por 45%, enquanto 41% temem que a inteligência artificial faça escolhas erradas. Outros 36% demonstraram preocupação com a definição de responsabilidades caso ocorra algum problema.
A confiança na tecnologia também aumentou. Em uma escala de 1 a 5, os brasileiros atribuíram nota média de 3,80 à confiança em seus agentes pessoais de IA, ante 3,18 em 2025. O resultado coloca o país novamente em segundo lugar, atrás da China, que obteve 3,97.
Para D’Antiochia, a expansão do comércio agêntico dependerá da capacidade das empresas de conciliar facilidade de uso com garantias de segurança.
“Os resultados deste estudo, que é único no mercado, reforçam que a conveniência pode acelerar a adoção do comércio agêntico, mas segurança, transparência e controle serão decisivos para que a tecnologia avance para compras de maior valor”, afirmou o executivo.
Agentes de IA podem representar 17% das compras em cinco anos
O relatório também aponta uma possível mudança na distribuição dos canais de compra. Nos sete países pesquisados, os consumidores estimam que 17% de suas compras poderão ser realizadas por agentes de inteligência artificial nos próximos cinco anos.
A projeção se aproxima da participação esperada para as lojas físicas, estimada em 18%. Os sites próprios das marcas aparecem com 13%, enquanto mecanismos de busca e marketplaces representam 12% cada.
Os números indicam a possibilidade de os agentes de IA assumirem um papel mais relevante na jornada de consumo, indo além das recomendações de produtos para participar diretamente das transações.
A China lidera os indicadores de disposição para o comércio agêntico, seguida pelo Brasil. Embora a aceitação esteja crescendo, os dados mostram que a segurança, a privacidade e a definição de responsabilidades continuam sendo fatores importantes para que os consumidores deleguem decisões financeiras à tecnologia.



