O consumo brasileiro deve passar por mudanças importantes em 2027, com consumidores cada vez mais divididos entre a busca por economia e a disposição para investir em produtos premium. Segundo o estudo Consumer Outlook 2027, da NIQ, 45,1% dos brasileiros afirmam estar em situação financeira melhor do que há um ano. Apesar disso, os consumidores continuam atentos aos gastos e priorizam produtos que ofereçam benefícios claros.
O levantamento mostra que o mercado brasileiro combina maior confiança financeira com decisões de compra cada vez mais seletivas. Nesse cenário, as marcas enfrentam o desafio de atender tanto quem busca economia quanto quem está disposto a pagar mais por qualidade, conveniência, desempenho e inovação.
Brasil se destaca na recuperação financeira
Globalmente, 34,4% dos consumidores afirmam estar em situação financeira melhor do que há um ano. Na América Latina, o índice chega a 37,3%, indicando uma percepção mais positiva em relação à economia quando comparada à de outras regiões.
O Brasil apresenta um resultado ainda mais expressivo: 45,1% dos consumidores dizem estar financeiramente melhor do que no ano anterior, o maior percentual entre os principais mercados analisados na região.
Apesar desse cenário favorável, a melhora na confiança não se traduz automaticamente em aumento generalizado do consumo. Os brasileiros continuam avaliando cuidadosamente suas despesas e priorizando categorias que consideram essenciais ou que ofereçam benefícios relevantes.
Consumidor brasileiro divide compras entre economia e produtos premium
Uma das principais tendências do Consumer Outlook 2027 é a polarização das decisões de compra. De um lado, os consumidores procuram alternativas mais econômicas; de outro, demonstram disposição para investir em produtos premium quando percebem vantagens concretas.
Na América Latina, 64,1% dos entrevistados afirmam preferir economizar quando um produto não apresenta benefícios claramente superiores. No Brasil, esse percentual sobe para 72,1%.
O resultado indica que preço e percepção de valor ganham importância na escolha dos produtos. Ao mesmo tempo, as marcas ainda encontram espaço para cobrar mais quando conseguem demonstrar diferenciais relacionados à qualidade, ao desempenho, à conveniência ou à inovação.
Dessa forma, as opções intermediárias enfrentam o desafio de justificar seu posicionamento. Para competir, elas precisam apresentar vantagens claras em relação tanto aos produtos mais baratos quanto às alternativas premium.
Inteligência artificial influencia as decisões de compra
Além dos fatores econômicos, a tecnologia também transforma a jornada de consumo. Segundo o levantamento, 58% dos consumidores latino-americanos afirmam ter sido influenciados por recomendações geradas com inteligência artificial (IA), enquanto 29% utilizam ativamente essas ferramentas para pesquisar produtos ou decidir o que comprar.
No Brasil, a presença dessas tecnologias é ainda mais expressiva. Entre os consumidores brasileiros, 52,4% utilizam inteligência artificial para apoiar decisões de compra, e 70,7% afirmam comprar produtos recomendados por plataformas digitais.
Esses números refletem mudanças na maneira como as pessoas descobrem marcas, comparam alternativas e escolhem produtos. Cada vez mais, as recomendações personalizadas e os algoritmos participam da jornada de compra, ampliando a importância dos canais digitais para as empresas.
Por isso, as marcas precisam considerar como seus produtos aparecem nas plataformas digitais e de que maneira podem atender às necessidades de consumidores que recorrem a ferramentas tecnológicas para orientar suas escolhas.
Bem-estar deve influenciar hábitos de consumo
A saúde e o bem-estar também aparecem entre os fatores que podem transformar o mercado nos próximos anos. O Consumer Outlook 2027 indica que os tratamentos com GLP-1, utilizados em determinadas condições médicas e no controle do peso, podem influenciar as escolhas de alimentos, bebidas e produtos relacionados à saúde.
Globalmente, 47,9% dos consumidores acreditam que esses tratamentos vão modificar a maneira como as pessoas compram nessas categorias. Na América Latina, o índice chega a 60,3%.
No Brasil, a percepção é ainda mais elevada: 67,5% dos entrevistados consideram que os tratamentos com GLP-1 influenciarão os hábitos de consumo nos próximos anos. O percentual coloca o país entre os mercados com maior expectativa de impacto, segundo os dados apresentados.
Nesse contexto, categorias ligadas à nutrição, à saúde preventiva, ao controle de peso e aos produtos funcionais poderão passar por mudanças. Para as empresas, acompanhar essa evolução será importante para compreender novas demandas e identificar oportunidades de mercado.
O que esperar do consumidor brasileiro em 2027?
Os dados do Consumer Outlook 2027 indicam que o consumidor brasileiro deverá combinar confiança financeira com atenção aos gastos. Embora parte da população esteja mais otimista em relação à própria situação econômica, as decisões de compra continuam condicionadas à percepção de valor.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial amplia as possibilidades de descoberta de produtos, enquanto as preocupações com saúde e bem-estar podem modificar as escolhas em diferentes categorias.
Diante desse cenário, as oportunidades de crescimento dependerão da capacidade das marcas de compreender públicos com expectativas distintas. Produtos competitivos em preço e alternativas premium com benefícios bem definidos poderão ganhar espaço, enquanto as opções intermediárias precisarão demonstrar com clareza por que merecem a preferência do consumidor.



