A Black Friday 2026 deve reunir consumidores desconfiados, mas ainda dispostos a aproveitar as promoções. Segundo uma pesquisa da Dito, plataforma de CRM com inteligência artificial, em parceria com o Opinion Box, 75% dos entrevistados consideram que a data reúne muitas ofertas enganosas no Brasil. Além disso, 63% avaliam que o evento já foi melhor. Mesmo diante dessa percepção, 62% afirmam que pretendem comprar nesta edição.
Os números indicam que a desconfiança não impede necessariamente as compras. Pelo contrário, ela incentiva os consumidores a pesquisar preços, verificar a reputação das empresas e avaliar se os descontos representam vantagens reais.
O levantamento Comportamento de compra e tendências para Black Friday 2026 ouviu 1.003 pessoas pela internet entre julho e agosto de 2026, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Com a data marcada para 27 de novembro, as campanhas promocionais começam a ganhar espaço. Ao mesmo tempo, ferramentas digitais e recursos de inteligência artificial facilitam a comparação de preços, aumentando a pressão por transparência por parte dos varejistas.
Consumidores planejam compras antes
A desconfiança também se reflete na preparação para as compras. Entre os entrevistados, 31% monitoram os preços dos produtos que desejam adquirir. Além disso, 24% deixam de fazer determinadas compras à medida que a data se aproxima, na expectativa de encontrar condições melhores durante o evento.
Outros 19% acompanham as lojas que oferecem cupons ou benefícios. Enquanto isso, 18% recorrem a sites e aplicativos de comparação de preços ou histórico de valores para avaliar as ofertas.
Por outro lado, apenas 22% afirmam não se planejar e decidir na hora, caso encontrem um desconto considerado muito vantajoso ou inédito para o produto desejado.
Esse comportamento ajuda a explicar por que 63% dos entrevistados consideram válido adiar determinadas compras para esperar a Black Friday. Dessa forma, a decisão de compra começa antes do evento, com o acompanhamento dos preços e a análise das condições oferecidas pelas lojas.
Preço final vale mais do que desconto
O preço baixo é o principal fator de decisão para 75% dos consumidores entrevistados. Em contrapartida, o percentual de desconto aparece em terceiro lugar, citado por 30%.
Essa diferença mostra que divulgar uma redução expressiva, como 50%, pode não ser suficiente para convencer o consumidor. Afinal, quem acompanha os preços consegue avaliar se o valor anunciado representa uma economia real.
Além disso, 47% dos participantes afirmam que desistiriam da compra caso o preço final estivesse acima do esperado. Portanto, as empresas precisam considerar não apenas o percentual de desconto, mas também o valor efetivamente cobrado.
Nesse cenário, preços verificáveis e comunicação objetiva podem ajudar a fortalecer a confiança. Por outro lado, promoções pouco claras correm o risco de reduzir as conversões e prejudicar a reputação das marcas.
Avaliações e segurança influenciam a decisão
Na Black Friday 2026, a confiança nas lojas também deve pesar na escolha dos consumidores. De acordo com a pesquisa, 44% leem avaliações dos produtos no próprio site antes de comprar. Além disso, 39% consultam a reputação da empresa para verificar se ela é confiável.
As avaliações negativas também podem comprometer as vendas. Um em cada quatro entrevistados afirma que reclamações desfavoráveis sobre a loja seriam motivo para desistir da compra. Da mesma forma, 16% abandonariam o processo diante da falta de segurança no pagamento.
Assim, o desconto representa apenas uma parte da decisão. Os consumidores também procuram sinais de que receberão o produto correto, dentro do prazo e nas condições anunciadas.
Uso de dados pessoais exige transparência
A cautela se estende ao compartilhamento de informações pessoais em troca de cupons e ofertas exclusivas. Nesse caso, 35% dos entrevistados afirmam que só forneceriam seus dados se o benefício fosse considerado excelente. Outros 26% compartilham as informações, mas demonstram receio, enquanto 27% preferem não fornecê-las. Apenas 12% dizem não se importar com essa prática.
Entre aqueles que compartilham os dados, 46% percebem que as empresas utilizam as informações para personalizar ofertas. Entretanto, 27% afirmam receber recomendações sem relação com seus interesses. Além disso, 15% dizem que as empresas possuem seus dados, mas não estabelecem contato.
Os resultados indicam que coletar informações não é suficiente para construir um relacionamento com o consumidor. Pelo contrário, as empresas precisam utilizar esses dados de maneira transparente, segura e compatível com as expectativas criadas no momento do cadastro.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), por sua vez, já alertou para a importância da transparência no tratamento de informações pessoais em programas de descontos. Afinal, a falta de clareza sobre o uso dos dados pode prejudicar o direito à informação do consumidor.
Diante desse cenário, a Black Friday 2026 exigirá mais do que preços competitivos. Para conquistar consumidores cada vez mais atentos, as empresas precisarão oferecer descontos reais, condições claras, segurança nas transações e respeito aos dados pessoais. Dessa maneira, a confiança poderá ser decisiva para transformar o interesse em compras efetivas.



