Crédito para empresas: como financiar a expansão

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Acesso ao crédito é fundamental para financiar capital de giro, investimentos e expansão. Em um cenário de juros elevados, porém, a contratação de recursos exige planejamento tanto das empresas que buscam financiamento quanto das instituições que concedem crédito.

De acordo com a Serasa Experian, a demanda empresarial por crédito segue crescendo, ainda que com comportamentos diferentes entre os portes. Entre as empresas médias, por exemplo, houve crescimento no acumulado dos últimos 12 meses, o que mostra que existe necessidade de financiamento, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

“Ao mesmo tempo, o mercado evoluiu nos últimos anos. Hoje há maior disponibilidade de dados, modelos analíticos mais sofisticados e novas fontes de informação, o que permite uma avaliação mais completa da capacidade financeira e do risco de cada empresa”, revela Julio Lopes, diretor de pequenas e médias empresas da Serasa Experian, em entrevista ao All Connected Media.

O custo do financiamento varia de acordo com fatores macroeconômicos e características de cada negócio. Além da taxa básica de juros e do custo de captação das instituições financeiras, entram na análise o histórico de crédito, a capacidade de geração de caixa, o nível de endividamento, o prazo da operação, as garantias disponíveis e a modalidade de financiamento escolhida.

“Pesam características do próprio negócio, como histórico de crédito, capacidade de geração de caixa, nível de endividamento, prazo da operação, garantias disponíveis e qual modelo de crédito a empresa pretende buscar no mercado”, diz o especialista.

Com o encarecimento do capital, projetos de investimento que seriam viáveis em um cenário de juros menores podem precisar ser redimensionados ou adiados, além de exigir uma revisão dos prazos de retorno esperados.

“Para empresas médias, esse efeito pode ser ainda mais relevante porque a expansão costuma exigir recursos em várias frentes ao mesmo tempo, como infraestrutura, equipamentos, estoque, contratação e tecnologia. Isso aumenta a necessidade de avaliar com cuidado não apenas o custo do financiamento, mas também o prazo, as garantias exigidas e o impacto da nova dívida sobre o fluxo de caixa”, diz Lopes.

A percepção de risco também influencia diretamente as condições de financiamento. Quanto maior a incerteza sobre a capacidade de pagamento e a geração futura de caixa da empresa, maior tende a ser a cautela das instituições na concessão de recursos e na definição das taxas cobradas.

Adversidades na concessão de crédito

De acordo com o diretor da Serasa Experian, empresas com maior volatilidade de receita, sazonalidade acentuada, geração de caixa menos previsível, alto nível de endividamento ou histórico de crédito mais curto tendem a exigir uma análise mais cuidadosa. Além disso, empresas recém-criadas, por não terem um histórico de crédito com o mercado, podem ter mais dificuldade de acesso a crédito.

“Também podem enfrentar mais desafios negócios que precisam fazer desembolsos relevantes antes de começar a capturar o retorno da expansão, especialmente quando há uma dependência maior de capital de giro ou quando o ciclo financeiro da operação é mais longo”, pondera ele.

O setor de atuação, entretanto, não determina sozinho a dificuldade de obter financiamento. A tendência é que as análises considerem cada vez mais as particularidades dos negócios, combinando histórico de crédito, comportamento financeiro e capacidade de geração de caixa para avaliar o risco de cada operação.

Atenção ao capital de giro

Para Lopes, o capital de giro costuma ter um peso importante e, muitas vezes, é subestimado e não incluído nos planos de expansão e, no médio prazo, acaba gerando uma nova necessidade de busca de crédito que tende a ser mais “caro” e impactando o fluxo de caixa das empresas.

“Um projeto de expansão saudável precisa considerar não apenas o investimento inicial, mas também o fôlego financeiro necessário para sustentar a operação até que a nova estrutura comece efetivamente a gerar caixa. E é importante que prazo e custo da fonte de financiamento estejam alinhados à finalidade do recurso”, comenta ele.

Em cenários de instabilidade, adequar a modalidade de financiamento ao objetivo do investimento torna-se ainda mais importante. Projetos de retorno mais longo, por exemplo, exigem estruturas de prazo compatíveis, enquanto necessidades de curto prazo, como capital de giro, pedem soluções mais aderentes ao ciclo operacional da empresa. Evitar esse descasamento é fundamental para não criar pressão adicional sobre o caixa.

“Na prática, o equilíbrio passa menos por ‘crescer ou não crescer’ e mais por definir ritmo, tamanho e estrutura financeira da expansão de forma compatível com a capacidade de geração de caixa do negócio e garantir um fluxo de caixa saudável com controle redobrado entre entradas e saídas, isso antes mesmo de buscar crédito no mercado”, finaliza ele.

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