A Geely anunciou uma nova tecnologia de bateria e carregamento capaz de levar um carro elétrico de 10% a 70% de carga em quatro minutos. A recarga completa é concluída em 8 minutos e 40 segundos, segundo informações divulgadas pela montadora chinesa nesta quarta-feira (23). A solução utiliza carregadores de 2,2 MW (2.200 kW), colocando a empresa em uma disputa direta por maior velocidade de recarga com a BYD.
A potência exigida pelo sistema da Geely é mais de duas vezes superior à dos eletropostos de 1 MW da BYD. Mesmo com a diferença de potência, a tecnologia da concorrente chinesa também promete uma carga ultrarrápida: os equipamentos da BYD conseguem levar a bateria a até 97% em cerca de nove minutos.
A Geely, no entanto, ainda não informou quais veículos receberão a nova tecnologia. A aplicação também depende de alterações no próprio automóvel, já que uma bateria convencional não consegue simplesmente aproveitar toda a potência disponibilizada por um carregador de alta capacidade.
IA acompanha bateria durante a recarga
A operação em níveis tão elevados de potência exige controle sobre diferentes parâmetros do veículo. Para isso, a Geely utiliza inteligência artificial instalada no automóvel para acompanhar a saúde da bateria e o sistema térmico durante o processo.
O objetivo é identificar condições que possam representar risco durante a transferência de uma quantidade elevada de energia. O sistema acompanha os parâmetros da bateria e do gerenciamento térmico para controlar a operação da recarga e antecipar situações potencialmente problemáticas.
A necessidade desse monitoramento está relacionada às características da própria recarga ultrarrápida. Quanto maior a potência empregada, maior é a necessidade de controlar temperatura, bateria e demais componentes envolvidos no processo.
Tecnologia exige componentes específicos
A infraestrutura de carregamento é apenas uma parte da equação. Para receber energia em uma velocidade tão alta, o veículo também precisa contar com componentes desenvolvidos para suportar a potência elevada.
A solução envolve sistemas específicos de segurança para a bateria, o motor e o próprio carregador. Esses componentes adicionais aumentam a complexidade do veículo e também podem elevar seu custo.
A BYD enfrenta uma condição semelhante em sua linha de recarga ultrarrápida. Atualmente, a tecnologia está associada aos modelos da Denza, submarca de luxo da fabricante chinesa.
No mercado brasileiro, a diferença entre as tecnologias também aparece quando se observa a capacidade dos veículos. O BYD Dolphin Mini, por exemplo, parte de R$ 119.900 e suporta recarga de até 40 kW. Isso significa que, mesmo conectado a um eletroposto com capacidade de 1.500 kW, o modelo receberá somente a potência máxima que seu sistema consegue suportar.
Nesse caso, o Dolphin Mini leva cerca de 30 minutos para atingir 80% de carga e mais de 50 minutos para completar a bateria.
Potência do carregador não define sozinha a velocidade
A comparação entre os carregadores da Geely e da BYD também evidencia uma característica importante da infraestrutura de veículos elétricos: a potência máxima do eletroposto não determina, isoladamente, a velocidade de carregamento.
O veículo precisa estar preparado para receber aquela quantidade de energia. Caso contrário, a capacidade excedente do carregador não será aproveitada. Por isso, sistemas de recarga ultrarrápida dependem da combinação entre infraestrutura de alta potência, bateria compatível, gerenciamento térmico e mecanismos de segurança.
No caso da Geely, o carregador de 2,2 MW representa a capacidade necessária para entregar a energia na velocidade anunciada pela empresa. A montadora, porém, ainda não revelou quais automóveis serão compatíveis com a tecnologia nem quando os primeiros modelos equipados com o sistema chegarão ao mercado.
A BYD, por sua vez, mantém sua solução de alta potência concentrada em veículos capazes de receber esse nível de energia, enquanto modelos de entrada permanecem limitados por suas próprias especificações de carregamento.



