O volume de anúncios falsos identificados na semana da Black Friday de 2025 foi 147% superior à média semanal registrada naquele mês, segundo levantamento da Serasa Experian. No mesmo período, o total de ameaças digitais mapeadas ficou 99% acima da média. A tendência é que esse cenário se repita em 2026, e de forma ainda mais sofisticada, às vésperas da Black Friday deste ano, marcada para 27 de novembro.
Considerada uma das datas mais importantes do calendário do varejo, a Black Friday também concentra riscos para quem compra pela internet. Isso porque o período exige atenção redobrada, especialmente com o avanço de ferramentas de inteligência artificial cada vez mais acessíveis.
IA amplia o repertório dos golpistas
Aos golpes já conhecidos, como sites falsos, links disparados por mensagens e promoções que não existem, somam-se agora recursos criados com IA. Entre eles estão vídeos que usam o rosto de pessoas conhecidas, áudios que reproduzem vozes reais e anúncios fraudulentos com acabamento cada vez mais profissional, o que dificulta a identificação da fraude.
Para Alexandre Oliveira, VP de Riscos e Compliance da Getnet, o consumidor precisa adotar novos hábitos na hora de comprar, sobretudo quando a oferta chega por canais inesperados. “A tecnologia também pode ser utilizada por criminosos para tornar um golpe mais convincente. Por isso, mais do que desconfiar de uma oferta muito vantajosa, é importante verificar a origem da comunicação, conferir o endereço do site e evitar tomar uma decisão de compra apenas porque uma promoção parece urgente ou exclusiva”, afirma.
Como se proteger de golpes na Black Friday
Preços e canais fora do comum: descontos muito acima do praticado pelo mercado, sites com endereço ou identidade visual suspeitos e links recebidos por mensagens ou redes sociais merecem desconfiança. A orientação é comparar o preço do produto em diferentes lojas e acessar a loja oficial diretamente pelo aplicativo ou digitando o endereço no navegador.
Vídeos, áudios e senso de urgência: deepfakes conseguem reproduzir a aparência e a voz de pessoas conhecidas para conferir credibilidade a uma oferta falsa. Expressões como “últimas unidades” ou “oferta termina em cinco minutos” também são usadas para pressionar a decisão. Em caso de dúvida, o ideal é confirmar a informação nos canais oficiais da marca.
Checagem antes do pagamento: no Pix, é preciso conferir o nome do recebedor e os dados exibidos pela instituição financeira. Se as informações não corresponderem à empresa da compra, a operação deve ser interrompida. Pedidos para instalar aplicativos desconhecidos ou compartilhar senhas e códigos de autenticação também são sinais de alerta.
Interromper é a saída mais segura: não finalizar a compra é a forma mais simples de evitar prejuízo. O consumidor pode buscar o site oficial da empresa ou os canais de atendimento para confirmar se a promoção é verdadeira.
Verificação vale para todo o pico do e-commerce
As recomendações se aplicam não só à Black Friday, mas a todo o período de maior movimento no comércio eletrônico. Pesquisar preços, observar os canais usados pelas marcas e ter cuidado no momento do pagamento são atitudes que diminuem o risco de uma oportunidade de economia virar prejuízo.
“Hoje, não basta perguntar se uma imagem ou um vídeo parece verdadeiro. O consumidor também precisa se perguntar de onde aquela informação veio, para onde o link leva e quem está recebendo o pagamento. São verificações simples, mas que podem fazer uma grande diferença antes de uma compra”, complementa Alexandre.



