Os descontos e as promoções devem impulsionar as compras na Black Friday 2026, segundo levantamento pré-Black Friday da NielsenIQ. A pesquisa mostra que 81,8% dos consumidores que compraram pela internet em 2025 foram motivados pelos preços menores. Para este ano, a expectativa é que essa tendência continue.
Além disso, o cenário econômico deve tornar os brasileiros mais cautelosos. Os juros elevados e a inadimplência pressionam o orçamento das famílias. Por isso, os consumidores tendem a avaliar melhor as finanças antes de aproveitar as ofertas.
Apesar das dificuldades, a intenção de compra permanece. Segundo Gabriel Fagundes, líder de e-commerce da NielsenIQ, os brasileiros adaptam seus gastos à realidade financeira. Ainda assim, continuam buscando oportunidades para comprar os produtos desejados.
“O brasileiro não deixa de comprar, mas ele se adapta. Ele está sufocado, as famílias estão endividadas, os preços não estão favoráveis, mas a demanda ainda existe. O que ele faz é uma conta bem específica, considerando suas finanças, para conseguir comprar aquele item que ele busca na Black Friday”, explicou Fagundes.
Frete grátis também influencia as compras
Além dos descontos, o frete grátis continua sendo um incentivo importante para as compras online. Em 2025, essa vantagem motivou 44,3% dos consumidores a comprar pela internet. Por isso, o benefício também merece atenção na Black Friday.
Nas lojas físicas, por outro lado, a localização influencia as decisões de compra. De acordo com a NielsenIQ, 45,7% dos consumidores consideram a proximidade das lojas um fator importante. Isso ocorre principalmente quando os estabelecimentos ficam no trajeto de suas atividades cotidianas.
Além disso, 24% dos consumidores aproveitam as visitas aos shoppings para realizar compras. Dessa forma, a conveniência também ganha espaço entre os fatores que influenciam o consumo.
Compras se distribuem ao longo de novembro
A dinâmica também está mudando. Em vez de concentrar as compras em um único dia, os consumidores distribuem suas aquisições ao longo da semana promocional. Além disso, o movimento se estende por todo o mês de novembro.
Os dados da NielsenIQ mostram esse comportamento nas lojas físicas. Entre 2024 e 2025, a semana da Black Friday movimentou R$ 16,6 bilhões em bens de consumo rápido, categoria conhecida pela sigla FMCG. O resultado representa alta de 6,5% em valor e de 1,4% em volume.
Já no acumulado de novembro, o faturamento chegou a R$ 71,9 bilhões. Nesse caso, o crescimento foi de 7,4% em valor e de 2,3% em volume, na comparação anual.
No comércio eletrônico, os resultados também foram positivos. Em 2025, as vendas de FMCG alcançaram R$ 795 milhões. O valor representa um avanço de 21,6% em relação a 2024.
Considerando todo o mês de novembro, o faturamento online da categoria chegou a R$ 1,9 bilhão. Com isso, houve crescimento de 30,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Tecnologia e bens duráveis devem se destacar
A categoria de tecnologia e bens duráveis, conhecida como Tech & Durables, também registrou crescimento durante a temporada promocional de 2025.
Somando as vendas nos canais físicos e digitais, o segmento faturou R$ 7,7 bilhões. O resultado representa alta de 8,9% em valor e de 4,7% em volume.
Em novembro, o faturamento foi ainda maior. A categoria alcançou R$ 23 bilhões, com crescimento de 14,2% em valor e de 11,6% em volume.
Segundo Gabriel Fagundes, o segmento deve continuar entre os destaques na Black Friday de 2026. Dentro dessa categoria, os produtos relacionados a games costumam apresentar bom desempenho. Em seguida, aparecem os itens de vídeo e os eletroportáteis para cozinha.
“Dentro da cesta, é comum o bom desempenho de itens relacionados a games, com o maior destaque, seguido por Vídeo e Portáteis para cozinha”, afirmou.
Três tendências que podem influenciar as compras
Além dos preços e das condições econômicas, a NielsenIQ destaca três tendências que podem influenciar as escolhas dos consumidores durante o período promocional. Esses fatores também devem orientar as estratégias do varejo.
Saudabilidade: o interesse por bem-estar, qualidade de vida e benefícios funcionais continua em evidência. Por isso, produtos associados a esses atributos podem ganhar espaço nas decisões de compra.
Consumo dentro do lar: a busca por conveniência e experiências em casa permanece relevante. Nesse cenário, categorias relacionadas à alimentação, ao entretenimento doméstico e ao preparo de refeições podem se beneficiar.
Possíveis impactos do El Niño: as mudanças climáticas também podem afetar o consumo. Isso porque alterações nas condições climáticas podem modificar a procura por determinadas categorias e influenciar o abastecimento. Por esse motivo, acompanhar esses efeitos será importante para o planejamento do varejo.
Varejo deve acompanhar o comportamento do consumidor
Diante desse cenário, os consumidores devem priorizar o orçamento e buscar mais descontos. Ao mesmo tempo, as compras tendem a continuar distribuídas ao longo de novembro.
Portanto, o varejo precisará acompanhar as mudanças no comportamento dos clientes. Além de oferecer preços competitivos, as empresas poderão ajustar suas estratégias de acordo com a procura por cada categoria. Assim, entender as prioridades dos consumidores será fundamental para aproveitar as oportunidades da temporada promocional.



