O avanço da inteligência artificial (IA) amplia as oportunidades para as empresas, mas também traz novos desafios para a segurança digital. Por isso, proteger dados e prevenir ataques cibernéticos tornou-se ainda mais importante, especialmente para pequenas e médias empresas.
Em outubro, mês dedicado à conscientização sobre segurança cibernética, o tema ganha destaque. Afinal, criminosos podem utilizar a IA para criar mensagens fraudulentas mais convincentes, clonar vozes e automatizar golpes.
Um estudo da Kaspersky mostra a dimensão do problema. Segundo a pesquisa, 28% dos profissionais de TI e segurança entrevistados em pequenas e médias empresas brasileiras apontaram o phishing entre os incidentes enfrentados no último ano. Além disso, 32% citaram a interrupção dos processos de negócio como uma das principais consequências dos ataques mais graves.
Diante desse cenário, Martha Peterson, gerente do Programa de Incidentes de Segurança da Pipedrive, destaca medidas que ajudam as empresas a fortalecer a proteção digital e reduzir riscos relacionados ao uso da inteligência artificial.
Cibersegurança exige atenção aos agentes de IA
A inteligência artificial está mudando o cenário das ameaças digitais. Por um lado, as empresas podem utilizar a tecnologia para identificar riscos, analisar padrões e automatizar tarefas. Por outro, criminosos também recorrem a esses recursos para aperfeiçoar golpes.
Entre as ameaças estão mensagens de phishing personalizadas, clonagem de voz, vídeos falsos e fraudes automatizadas em larga escala. Além disso, a expansão dos agentes de IA exige cuidados adicionais. Essas ferramentas podem acessar sistemas, manipular dados e executar tarefas em diferentes plataformas.
Por isso, as empresas precisam avaliar cuidadosamente as permissões concedidas a esses agentes. Também é importante monitorar suas atividades e estabelecer limites claros para as ações realizadas de forma autônoma.
Mesmo quando os acessos são autorizados, a combinação de diferentes tarefas pode provocar consequências inesperadas. Em alguns casos, esse processo pode expor informações confidenciais. Dessa forma, a segurança deve fazer parte da implementação desses sistemas, com verificações durante a execução e supervisão humana proporcional aos riscos.
O relatório The Hidden Cost of Selling 2026, da Pipedrive, também destaca desafios relacionados à produtividade. Segundo o levantamento, quase 68% dos profissionais têm dúvidas sobre o que priorizar pelo menos várias vezes por semana. Além disso, 58% dedicam três horas ou mais a tarefas administrativas que os afastam do contato direto com os clientes.
Treinamento ajuda a identificar ameaças
O phishing e a engenharia social continuam entre as formas de ataque que exigem atenção das empresas. Essas práticas exploram a confiança e o senso de urgência para induzir as vítimas a compartilhar informações ou realizar ações indevidas.
Por exemplo, um criminoso pode enviar um e-mail que parece ter sido escrito por um colega de trabalho. Também pode solicitar dados confidenciais ou simular uma situação urgente. Com o avanço da IA, essas mensagens podem se tornar ainda mais convincentes.
Para reduzir os riscos, as empresas devem investir em treinamentos regulares e práticos. As atividades precisam considerar as situações enfrentadas pelos funcionários no dia a dia.
Além de reconhecer mensagens suspeitas, os profissionais devem saber como verificar a identidade de quem fez uma solicitação. Também precisam conhecer os procedimentos para interromper interações suspeitas e comunicar possíveis incidentes.
Dessa maneira, uma cultura de segurança pode ajudar a identificar ameaças antes que elas provoquem prejuízos. Para isso, os funcionários precisam se sentir à vontade para relatar situações suspeitas.
Supervisão humana continua sendo necessária
A IA pode ajudar a identificar ameaças, analisar padrões e automatizar tarefas repetitivas. No entanto, a tecnologia não elimina a necessidade de avaliação humana.
Isso porque os sistemas podem cometer erros, apresentar informações imprecisas ou gerar resultados influenciados por dados comprometidos. Portanto, as empresas precisam definir quais atividades podem ser automatizadas e quais exigem aprovação de uma pessoa.
Esse cuidado é especialmente importante quando agentes de IA interagem com diferentes sistemas, executam códigos ou realizam ações sem aprovação individual.
Nesses casos, os funcionários devem conseguir avaliar o contexto, questionar recomendações e identificar resultados incomuns. Assim, a automação precisa estar acompanhada de mecanismos de controle compatíveis com os riscos envolvidos.
Segurança digital deve fazer parte da rotina
A cibersegurança não deve ser tratada apenas como uma obrigação de conformidade ou uma atividade pontual. Para que as medidas funcionem, elas precisam fazer parte dos processos cotidianos da empresa. Isso inclui revisar as políticas de segurança, atualizar os treinamentos e avaliar as ferramentas utilizadas. Além disso, as organizações devem verificar se os sistemas oferecem transparência e contam com mecanismos adequados de supervisão.
A pesquisa identificou que apenas 25,2% dos entrevistados consideram a IA totalmente integrada ao trabalho diário. Segundo o levantamento, a incerteza sobre quando confiar nos resultados gerados pela tecnologia é a principal barreira à adoção.
Ao mesmo tempo, 43,3% dos profissionais gostariam de utilizar a IA para redigir e-mails, resumos e anotações que pudessem ser revisados por uma pessoa. Em contrapartida, 22,4% afirmaram sentir desconforto com a execução autônoma de tarefas pela tecnologia.
Os dados reforçam a importância de combinar inovação com controle. Portanto, as empresas precisam estabelecer regras claras para o uso da IA e preparar suas equipes para lidar com possíveis riscos.
Ao investir na conscientização dos funcionários, em processos bem definidos e no uso responsável da tecnologia, as organizações podem fortalecer a segurança digital. Dessa forma, também ampliam sua capacidade de enfrentar ameaças e preservar a confiança dos clientes.



