A instabilidade econômica preocupa 38% dos CEOs brasileiros, que consideram suas empresas muito ou extremamente expostas a esse risco. O dado faz parte da 29ª CEO Survey, pesquisa da PwC divulgada em janeiro de 2026, que ouviu mais de 4.400 executivos em 95 países e territórios. Além disso, o levantamento aponta desafios para as lideranças na definição de prioridades estratégicas para 2027.
A pesquisa também revela que os empresários dedicam 57% do tempo a questões com horizonte inferior a um ano. Em contrapartida, apenas 11% da agenda é voltada a temas de longo prazo. Dessa forma, a concentração de esforços nas demandas imediatas pode reduzir o espaço para decisões estratégicas que contribuam para o crescimento sustentável das organizações.
Executivos priorizam decisões de curto prazo
Além da instabilidade econômica, as mudanças no ambiente competitivo também desafiam as lideranças. Segundo a pesquisa da PwC, 51% dos CEOs brasileiros afirmam que suas empresas passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos.
Esse movimento demonstra como as fronteiras dos negócios estão mudando. Por isso, as empresas precisam avaliar constantemente onde investir, quais mercados priorizar e como distribuir seus recursos. Nesse cenário, um planejamento anual isolado pode não ser suficiente para acompanhar transformações econômicas e competitivas.
Os três indicadores apontam desafios complementares: exposição aos riscos macroeconômicos, concentração da agenda no curto prazo e entrada em novos setores. Em conjunto, os resultados reforçam a importância de transformar o planejamento estratégico em um processo contínuo, com objetivos definidos, indicadores atualizados e responsáveis por cada meta.
“Os números confirmam o que vemos nas empresas: a instabilidade não elimina a necessidade de planejamento, ela exige um planejamento vivo, acompanhado de perto, com indicadores e responsáveis claros para sustentar decisões rápidas sem perder a direção estratégica”, afirma Marcos Kayser, CEO e cocriador do Scopi.
Planejamento estratégico ganha importância em 2027
Diante desse cenário, centralizar informações estratégicas pode facilitar o acompanhamento dos resultados. Ao reunir objetivos, metas e planos de ação em um único ambiente, as lideranças conseguem visualizar desvios e avaliar ajustes com mais agilidade.
Além disso, o monitoramento contínuo permite que as empresas revisem suas prioridades conforme as condições do mercado mudam. Dessa maneira, as decisões podem acompanhar a evolução do cenário econômico sem depender exclusivamente do ciclo anual de planejamento.
Portanto, o desafio para 2027 vai além de prever riscos. As organizações também precisam desenvolver processos que permitam responder às mudanças sem perder de vista seus objetivos de longo prazo. Em um ambiente de incerteza, manter a estratégia atualizada pode ser decisivo para sustentar a competitividade.



